24 junho 2008

Melody Gardot II



Para quem não se maravilhou o suficiente com a postagem abaixo!

Melody Gardot



Podem não acreditar: uma mistura de Blossom Dearie com Julie Andrews, é de cortar os pulsos!!!!!!!

"Love me like the river does...deeply!"

Gravou dois ou três Cds e também fez parte do disco do Herbie Hancock em homenagem à Joni Mitchell. Vejam no vídeo a diferença da reação do público. A entrada merece duas ou três palmas e o final é apoteótico!!!

No youtube tem muito mais!!!!

21 junho 2008

Antony and the Johnsons




"My heart is broken
here in the cup of my hands
from between cracked fingers
old blood spills.
I had to move onbaby
for when I tasted my own tears
they were too sweet
and then I knew that I had come too close

And I have tried to shine in the darkness..."

e por aí vai....

18 junho 2008

Biologia

Reportagem de ontem (17/06) em O Globo (não consigo o link!!) traz pesquisa sobre a confirmação biológica do caráter genético da homossexualidade. E agora, homens das trevas?
Antes dos argumentos de sempre: não é uma anomalia, é apenas um comportamento das sinapses cerebrais. Repito a pergunta:

e agora???

16 junho 2008

Japão Gay

(Reportagem de Ewerthon Tobace, no sítio G1)

Andar de mãos dadas? Nem pensar! Beijar em público então... No Japão, nem casais heteros têm coragem de demonstrar o carinho à vista dos outros, e se mostram recebem olhares de desaprovação. Que dirá de um casal gay. Então, apesar de algumas cidades serem o que chamam de 'gay friendly', expor a sexualidade só mesmo dentro de quatro paredes.

Já o mercado de compras e diversões para os gays é visto a olho nu, principalmente em Tóquio. E é um mercado rico, onde se gasta muito.

Os japoneses, no geral, adoram usar roupas da moda, se preocupam com o corpo, com a alimentação, usam produtos de beleza, adoram a cor rosa, carregam bolsa a tiracolo e não se incomodam de prender as longas madeixas com presilhas ou tiaras. Agora, imagine um japonês gay.

Pois é. A indústria voltada a esse mercado não é boba nem nada e hoje fatura horrores com produtos e serviços exclusivos para os gays japoneses. Há de tudo que se possa imaginar somente na capital: salões de beleza, spas, lojas de roupas, de acessórios e, é claro, a indústria pornográfica. Essa sim, a que mais fatura.

Há empresas especializadas em satisfazer o fetiche do cliente (e convenhamos, os japoneses são os reis das fantasias eróticas): há filmes somente com meninos colegiais, com surfistas, gordinhos, musculosos, personagens de animê, samurais etc.


Na vida real, os bares e casas noturnas também não ficam no conservadorismo. Há casas especializadas em todo tipo de cliente: os que têm tara por homens de terno e gravata, por cuecas brancas (o cliente tira a roupa na entrada do bar e, se não tiver com a peça em questão, a casa trata de emprestar uma), por sadomasoquismo, estrangeiros, jovens, velhos e tudo o mais que a imaginação permitir.


Vida gay em Tóquio

Na capital, há três bairros que concentram o comércio gay. Shinjuku Nichome (leia-se nityome) é o mais famoso. Próximo aos 300 metros da rua Naka encontram-se cerca de 480 estabelecimentos como bares, clubes e sex shops. O movimento é diário, mas o pico, claro, é nos finais de semana.


Os outros bairros são Shimbashi, antigo distrito de gueishas e preferido hoje dos assalariados japoneses de meia idade, e Ueno. Neste último, além de bares voltados para o público urso e da terceira idade, é lá que está a maior sauna do Japão, a 24 Kaikan (há uma filial da casa em Shinjuku também).

Comunidade gay brasileira

Os brasileiros gays usufruem de tudo isso e alguns aproveitam para ganhar dinheiro também. “A mais famosa drag queen do Japão era uma brasileira, sem contar os go-go-boys”, conta Juvenal Shintaku, que era freqüentador regular das melhores baladas da capital. “Outro dia fui a uma festa gay e pelo menos 50% do público era brasileiro, talvez porque a DJ era uma brasileira”, fala.

Fora da capital, o agito acontece em cidades com grande concentração de brasileiros. Hamamatsu, na província de Shizuoka, e Nagoya, em Aichi, são sempre palco de festas para o público gay. Sérgio Murata, de 43 anos, de Toyota, é um dos que promove os eventos em Aichi. Há alguns meses ele passou a investir também no público gay e, periodicamente, é o arco-íris que enfeita os convites e a casa. “No começo pensávamos que não iria ter público, mas cada evento chega a receber até 300 pessoas”, finaliza ele.

Nota: Para quem quiser saber sobre a formação do pensamento gay no Japão, recomendo a leitura de Male Colors - The Construction of Homosexuality in Tokugawa Japan, de Gary P. Leupp.

15 junho 2008

Avanço

Casamento gay atrairá milhões de dólares à Califórnia

Los Angeles (EUA)- Milhares de casais de homossexuais poderão, a partir de amanhã, se casar na Califórnia, um gesto aprovado pela Justiça e que trará milhões de dólares para os cofres da combalida economia deste estado americano.

Em 15 de maio, a Corte Suprema da Califórnia declarou inconstitucionais as leis que proibiam casamentos entre pessoas do mesmo sexo no estado, que se transformou no segundo dos Estados Unidos a permitir esses matrimônios, após Massachusetts.

A sentença judicial deu razão à ação apresentada pela cidade de San Francisco e pelos coletivos de homossexuais que, desde 2004, lutavam nos tribunais pelo reconhecimento de seu direito a se casar.

Um capítulo que terminará, pelo menos por enquanto, no último minuto de segunda-feira e de forma em massa a partir de terça-feira de manhã, quando espera-se que vários casais de homossexuais vão aos cartórios para mudar seu status de solteiro a casado.

Além de suas conotações legais, os enlaces gays terão grandes conseqüências econômicas para um estado afetado pela dívida e onde seus cidadãos se mostram divididos frente a esta mudança social.

Segundo um estudo do Instituto Williams da Escola de Direito da Universidade da Califórnia de Los Angeles (UCLA), os casamentos entre pessoas do mesmo sexo gerarão um volume de negócio de mais de US$ 680 milhões nos próximos três anos neste estado.

Entre os principais beneficiados da medida estará a Administração Pública, que receberá até 2011 mais de US$ 60 milhões graças aos enlaces, que criarão, de forma indireta, cerca de 2.200 empregos.

Os números acabaram por atenuar a recusa do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que vetou em várias ocasiões propostas legislativas favoráveis aos matrimônios entre homossexuais.

Calcula-se que 70 mil pares de homossexuais irão a este estado nos próximos três anos para se casar, um número ao qual se somarão 50 mil casais gays que moram na Califórnia.

O relatório do Instituto Williams estimou que se fossem autorizados os casamentos entre pessoas do mesmo sexo em todo o território americano, a caixa do Governo Federal obteria US$ 1 bilhão extras anuais.

No entanto, a medida do Supremo Tribunal colocou em pé de guerra os cidadãos e grupos conservadores de caráter religioso, que começaram a coletar assinaturas para apoiar uma iniciativa que pretende modificar a Constituição da Califórnia e declarar inconstitucional o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Se obtiver o respaldo social suficiente, a proposta seria submetida à votação em 4 de novembro, coincidindo com as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

As últimas pesquisas, no entanto, mostraram uma mudança na opinião pública californiana que, pela primeira vez em três décadas, se posicionou a favor das uniões entre homossexuais, mas não de forma unânime.

A pesquisa publicada no final de maio pelo instituto Field Poll indicou que 51% dos eleitores aprovam esses casamentos, contra 42% que se opõem.

Em meio a este debate, rostos famosos do mundo do cinema e da televisão nos EUA tornaram pública sua intenção de se casar com seus parceiros, como a apresentadora Ellen Degeneres ou o ator George Takei da série "Jornada nas Estrelas".

(veja mais em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL602024-5602,00-CALIFORNIA+SE+PREPARA+PARA+CELEBRAR+CASAMENTOS+GAYS.html

13 junho 2008

Mistérios de Pittsburg




Os livros do M. Chabon são super-roteirizáveis! "Garotos incríveis" deu um filme quase tão bom quanto o livro! "As aventuras de Clay e Kavalier", prometido, não sei que fim levou, embora o imbd diga que vai ser lançado em 2009.E "Mistérios de Pittsburg" foi mal recebido no Sundance. Será sina?

12 junho 2008

Atraso

A notícia abaixo, reproduzida da revista The Advocate, mostra como vamos nos colocando, a cada dia, mais distantes dos países civilizados. A barbárie é triste, gente alegre...

Norway Becomes Sixth Country to Permit Gay Marriage

Members of Norway's parliament approved a bill Wednesday that will allow same-sex couples to wed in civil marriages, according to Agence France-Presse.

The new law, which passed 84–41, requires that the terminology in marriage documents be gender-neutral.

A 1993 law gave gay and lesbian couples the right to enter into civil unions, similar to marriage, but they could not be wed in church or adopt children. The new law allows adoption and permits lesbians to be artificially inseminated.

Norway becomes the sixth country to allow gay marriage, joining Spain, Belgium, the Netherlands, South Africa, and Canada in legislating full marriage equality.

(The Advocate)

11 junho 2008

Carta de Brasília

A I Conferência Nacional em Brasília produziu o documento abaixo em seu encerramento.
Espero que os erros de português sejam fruto da transcrição para o sítio de onde copiei o texto. Afinal, quem pretende ser guardião dos direitos de quase 20 milhões de pessoas deveria ter a preocupação de, pelo menos, comunicar-se corretamente com seus protegées.

Infelizmente, é mais um esforço que se perde na partidarização e compartimentabilização da luta pelos direitos. Mais uma vez, insisto: todos nascemos cidadãos, a cidadania é inerente ao ser humano. O que é preciso é luta para que os mecanismos sociais não desviem o processo de pleno gozo dos direitos de cada um.

A falta de um foco possível, de um trabalho de base, é clara. A diluição do discurso em aspectos históricos e globais é mais um artifício para encobrir a falta de propostas sérias e definidas para o universo GBLT.

Em tempo: não faço parte de grupos devido à partidarização e aparelhamento das entidades com maior alcance na mídia.Falta a essa gente joie de vivre, leitura e uma visão menos maniqueísta (hum....)da situação.

É isso, a montanha pariu um rato...

Carta de Brasília

Nós delegadas e delegados, participantes da Conferencia Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), reunidos em Brasília, entre os dias 5 e 8 de junho de 2008, com o intuito de avaliar e propor estratégias de promoção da cidadania e de combate à violência e a discriminação contra a população LGBT, manifestamos nossa esperança e confiança de conquistarmos um Brasil e um mundo sem nenhum tipo de preconceito e segregação;

Consideramos que o processo de mobilização social e a consolidação de políticas públicas em todas as esferas do Estado são fatores determinantes para a construção de uma sociedade plenamente democrática, justa, libertária e inclusiva;

Para tanto, assumimos o compromisso de nos empenharmos cada vez mais na luta pela erradicação da homofobia, transfobia, lesbofobia, machismo e racismo do cotidiano de nossas instituições e sociedade, e por um Estado laico de fato;

A humanidade conhece os horrores causados pelas diferentes formas e manifestações de intolerância, preconceito e discriminações praticadas contra idosos, crianças, pessoas com deficiência, bem como por motivações de gênero, raça, etnia, religião, orientação sexual e identidade de gênero;

Contra o segmento LGBT tem recaído, durante séculos, uma das maiores cargas de preconceito e discriminações. Na idade média foram queimados em fogueiras. Durante o reino da barbárie nazista foram marcados com o triangulo rosa e assassinados em campos de concentração e fornos crematórios, juntamente com Judeus, Ciganos e Testemunhas de Jeová. Também nos países ditos do “socialismo real”, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram vitimas de discriminações, preconceito, e condenações, o que mostra que a intolerância e a discriminação extrapolam as barreiras ideológicas e os regimes políticos;

Assim, como os preconceitos foram gerados e alimentados por determinadas condições históricas, é chegado o momento de introduzir no âmago dos valores essenciais da sociedade: a consciência, o respeito e o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, em sua absoluta integridade, em superação a comportamentos, atitudes e ações impeditivas ao avanço de conquistas civilizatórias, as quais dedicamos nossos melhores esforços;

No mundo de hoje ainda existem países onde uma pessoa pode ser presa, condenada e morta por sua orientação sexual e identidade de gênero. A ONU reconhece a condição de refugiado político às pessoas que estejam ameaçadas em sua segurança ou integridade em virtude de sua raça, religião, nacionalidade, opinião política ou identificação a certos grupos sociais – onde se incide a orientação sexual e a identidade de gênero, quando expostas a situações de ameaça, discriminação ou violência – circunstâncias características de grave violação de direitos humanos;

Cumpre ao Poder Público (Executivo, Legislativo e Judiciário), o dever do diálogo, entre seus órgãos, e com a sociedade civil, com vistas à convalidação de direitos e à promoção da cidadania LGBT; seja pela ampliação, transversalidade e capilaridade de políticas públicas; pelo aprimoramento legislativo e pelo avanço jurisprudencial que reconheça, no ordenamento constitucional, a legitimidade de direitos e garantias legais reivindicadas pelo público LGBT em suas especificidades;

Nem menos, nem mais: direitos iguais!

É oportuno que o governo brasileiro busque apoio na comunidade internacional para a retomada, junto ao conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), das discussões para a aprovação de uma nova resolução dedicada aos Direitos Humanos e a Orientação Sexual e Identidade de Gênero, a exemplo da Resolução já aprovada na OEA, também apresentada pelo Brasil.

A prática afetivo-sexual consentida entre pessoas do mesmo sexo integra os direitos fundamentais à privacidade e à liberdade. Por isso, o avanço da cidadania LGBT requer o reconhecimento das relações homoafetivas como geradora de direitos, sem discriminação quanto àqueles observados nos vínculos heterossexuais;

Repudiamos toda e qualquer associação entre a promoção de direitos da população LGBT com a criminosa prática da pedofilia e da violência sexual presente na sociedade brasileira, que devem ser tratadas, rigorosamente na forma de lei;

Consideramos que a luta pelo direito à livre orientação sexual e identidade de gênero constitui legítima reivindicação para o avanço dos direitos humanos em nossa sociedade e para o aprimoramento do Estado Democrático de Direito;

Para tanto, solicitamos urgência na criação do Plano Nacional de Direitos Humanos e Cidadania LGBT; o cumprimento dos objetivos do Programa Brasil sem Homofobia e a aprovação dos projetos de lei que criminaliza a homofobia; que reconhece a união civil de pessoas do mesmo sexo e que autoriza a mudança do nome civil das travestis e transexuais pelo seu nome social;

Por isso, nós, participantes da Conferência Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais reivindicamos ao Poder Público (nos três níveis) que se aprofunde esforços, reflexões e ações em prol da consolidação de direitos de toda a comunidade LGBT, a fim de que as futuras gerações possam viver num mundo onde toda modalidade de preconceito e discriminação, motivadas por questões raciais, religiosas, políticas e de orientação sexual e identidade de gênero, estejam definitivamente suprimida do convívio humano.


Brasília 08 de junho de 2008

08 junho 2008

Foco

Matéria reproduzida de O Globo e que mostra os objetivos fundamentais da I Conferência em Brasília.

Movimento GLBT decide mudar para LGBT

Para o grupo, a mudança significa dar maior destaque para reivindicações das lésbicas.

A 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais decidiu neste sábado (7) padronizar a nomenclatura usada pelos movimentos sociais e pelo governo, junto com o padrão usado no resto do mundo: em lugar de GLBT, a sigla passa a ser LGBT: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais. Para o grupo, a mudança significa dar maior destaque para as reivindicações das mulheres lésbicas.

“Também coloca a questão da mulher lésbica como protagonista desse processo, prioriza e dá maior visibilidade à questão das lésbicas. Isso é importante. Era uma demanda antiga do movimento das lésbicas organizadas”, explica o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis.

Além da plenária, o sábado foi de atividades nos grupos de trabalho por setor, que votaram todas as propostas que devem ser incluídas na Carta de Brasília. O documento vai ser discutido na plenária final neste domingo (8).

Reis explica que o documento final serve “para que todo mundo possa ler e discutir cada proposta e termos o Plano Nacional de Políticas Públicas, que é o nosso grande objetivo, e aí constituir o Conselho Nacional de Políticas Públicas para LGBT, para que possa fazer o controle social das políticas”.

A criminalização da homofobia e a legalização da união estável entre pessoas do mesmo sexo devem ser as duas principais reivindicações do movimento apresentadas na Carta de Brasília.

“Nós temos duas prioridades: a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia, que é o PLC 122/06, e um outro é o projeto da ex-deputada Marta Suplicy, da união civil. Este projeto está parado na Câmara desde 1995, já está pronto para a ordem do dia, mas infelizmente a gente não consegue fazer com que ele avance”, afirmou o coordenador-executivo do projeto Aliadas e membro do Grupo Dignidade de Curitiba, Igo Martini.

07 junho 2008

Mudança de sexo gratuita

Reproduzo abaixo a matéria publicada no globo.com. Seria legal, junta com a mudança de sexo, vir um pouco mais de respeito pelos direitos de cada um (herança, pensão, plano de saúde, parceria civil, combate à homofobia, educação nas escolas, assistência ao adolescente homossexual e um tenebroso etc).


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta quinta-feira (5) que até o fim do mês o ministério vai baixar uma portaria estabelecendo que cirurgias para mudança de sexo possam ser feitas gratuitamente em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo ele, o governo está fazendo os últimos ajustes na portaria, que entrará em vigor assim que for publicada no Diário Oficial da União (DOU) - o que ainda não tem data certa para acontecer.

"É uma demanda social que está na nossa agenda há mais de 20 anos. Vai ser mais um passo na consolidação desse caminho em que o Brasil é liderança mundial.

O ministro conversou com a imprensa ao chegar à 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), em Brasília.

Segundo Temporão, a intenção do governo é que, inicialmente, hospitais universitários do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais possam realizar o procedimento. O ministro explicou que, a partir da portaria, outros hospitais da rede pública poderão se credenciar para que o Ministério da Saúde possa verificar se eles estão aptos a fazer a cirurgia.

"O Ministério da Saúde tomará todos os cuidados do ponto de vista ético, e do ponto de vista médico", garantiu Temporão.

A conferência é um marco na história do país. O evento ocorrerá até o dia 8 de junho, e contará com palestras sobre direitos humanos e políticas públicas, orientação sexual e identidade de gênero.

Ao final do encontro, políticas públicas discutidas serão consolidadas no Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

06 junho 2008

1ª Conferência - IV

Ainda em "Dúvidas Frequentes", pode-se ler:

Quais são os conceitos usados para esta Conferência? (Os conceitos foram formulados em consenso pela Comissão Organizadora do evento)

Bissexual: pessoa que têm desejos e práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com homens e mulheres.

Gay: pessoa do gênero masculino que tem desejos, práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com outras pessoas do gênero masculino.

Gênero: o conjunto de normas, valores, costumes e práticas através das quais a diferença entre homens e mulheres é culturalmente significada e hierarquizada. Envolve todas as formas de construção social das diferenças entre masculinidade e feminilidade, conferindo sentido e inteligibilidade social às diferenças anatômicas, comportamentais e estéticas. Contemporaneamente se compreende que não há linearidade na determinação do sexo sobre o gênero e sobre o desejo, sendo o gênero uma construção individual, social e cultural que sustenta a apresentação social da masculinidade e/ou feminilidade por um indivíduo.

GLBT: É a sigla para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Heterossexual: pessoa que tem desejos, práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com pessoas do gênero oposto.

Homofobia: conseqüência direta da hierarquização das sexualidades e do status superior arbitrariamente conferido à heterossexualidade, suposta como natural, em detrimento de outras manifestações e expressões das identidades e das práticas sexuais, tidas como inferiores ou mesmo anormais. A homofobia é um fenômeno que costuma produzir ou se vincular a preconceitos e mecanismos de discriminação, de estigmatização e violência contra pessoas GLBT e, mais genericamente, contra todas as pessoas (inclusive as heterossexuais) cujas expressões de masculinidade e feminilidade não se enquadrem nas normas de gênero, culturalmente estabelecidas. A homofobia, portanto, vai além do grave quadro de hostilidade e violência contra GLBT. Ela desencadeia e realimenta processos discriminatórios, representações estigmatizantes, processos de exclusão, dentre outros, voltados contra tudo aquilo que remeta, direta ou indiretamente, às práticas sexuais e identidades de gênero discordantes do padrão heterossexual e dos papéis estereotipados de gênero.

Homossexual: pessoa que tem desejos e práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com pessoas do seu mesmo gênero.

Lésbica: pessoa do gênero feminino que têm desejos e práticas sexuais, e relacionamento afetivo-sexual com outras pessoas do gênero feminino.

Lesbofobia: é uma expressão específica da homofobia. Se refere à discriminação, estigmatização e violação de direitos de mulheres que tem uma orientação sexual homossexual.

Sexualidade: dimensão fundamental da experiência humana, pode ser compreendida à luz de diferentes perspectivas. A sexualidade tem uma faceta biológica, mas não se reduz a ela. Aspectos psicológicos, sociais e culturais fundamentam a vivência humana da sexualidade. A sexualidade não é sinônimo de coito, sendo uma disposição à experimentar a si mesmo e ao outro segundo o registro do prazer e da criação. Sexualidade é disposição que motiva o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, de ser de se relacionar. Sexualidade, portanto, refere-se a uma importante dimensão da experiência humana que está diretamente relacionada ao laço social.

Transexual: pessoa com identidade de gênero diferente do biológico. Esta afirmativa consolidada pode, eventualmente, se transformar em desconforto ou estranheza diante destes atributos, a partir de condições sócio-culturais adversas ao pleno exercício da vivência dessa identidade de gênero constituída. Isto pode se refletir na experiência cotidiana de auto-identificação ao gênero feminino – no caso das mulheres que vivenciam a transexualidade, que apresentam órgãos genitais masculinos no momento em que nascem –, e ao gênero masculino que apresentam órgãos genitais femininos. A transexualidade também pode, eventualmente, contribuir para o indivíduo que a vivencia objetivar alterar cirurgicamente seus atributos físicos (inclusive genitais) de nascença para que os mesmos possam ter correspondência estética e funcional à vivência psico-emocional da sua identidade de gênero constituída.

Transfobia: é outra expressão específica da homofobia, referente ao rechaço às pessoas travestis e transexuais. A transfobia se expressa por meio do não reconhecimento das vivências de identidade de gênero distintas dos ditames postos pelas normas de gênero e pela ideologia do binarismo sexual. Ao superarem as barreiras postas pelas normas de gênero e uma visão essencialista acerca dos corpos, dos sexos e dos gêneros, as pessoas travestis e transexuais são expostas a um duro quadro de vulneralibilidades, que fazem delas alvo das mais acirradas manifestações de desaprovação e repulsa social. A transfobia as exclui de praticamente todos os espaços de convivência cidadã e, ao mesmo tempo, as coloca entre os principais alvos da violência letal contra GLBT.

Travesti
: pessoa que nasce do sexo masculino ou feminino, mas que tem sua identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, assumindo papéis de gênero diferentes daquele imposto pela sociedade. Muitas travestis modificam seus corpos através de hormonioterapias, aplicações de silicone e ou cirurgias plásticas, porém vale ressaltar que isso não é regra para todas.

Vulnerabilidade: refere-se à condição pessoal ou social que expõe os indivíduos e/ou grupos sociais a situações de exclusão e violação dos direitos humanos fundamentais. O gênero, a cor, condição sócioeconômica, de região, de religião, de idade, de orientação sexual e de identidade de gênero, por exemplo, são condicionantes e determinantes para o prejuízo no gozo dos direitos, estando os indivíduos vulneráveis aos processos discriminatórios devido a estigmas e preconceitos sócio-historicamente constituídos.

AH! Meus Deus!!

1ª Conferência - III

Lê-se no sítio da conferência, na página "Dúvidas frequentes(???)":

Como é composta a comissão organizadora?

A Comissão Organizadora Nacional foi designada pelo Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República através da Portaria nº 260 de 21 de dezembro de 2007 e é composta por:

* I – 3 (três) representantes titulares e 3 suplentes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos/PR;
* II – 1 representante titular e 1 suplente dos seguintes órgãos:
*
o a) Secretaria Geral da Presidência da República;
o b) Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres;
o c) Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial;
o d) Ministério da Educação;
o e) Ministério da Saúde;
o f) Ministério do Trabalho;
o g) Ministério da Justiça;
o h) Ministério da Cultura;
o i) Ministério dos Esportes;
o j) Ministério das Cidades;
o k) Ministério da Previdência Social;
o l) Ministério do Desenvolvimento Social;
o m) Ministério das Relações Exteriores;
o n) Ministério do Turismo;
* III – 1 representante titular e 1 suplente da Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT;
* IV – 7 representantes titulares e 7 suplentes da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT;
* V – 2 representantes titulares e 2 suplentes da Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA;
* VI – 2 representantes titulares e 2 suplentes do Coletivo Nacional de Transexuais – CNT;
* VII – 2 representantes titulares e 2 suplentes da Articulação Brasileira de Lésbicas - ABL;
* VIII – 1 representante titular e 1 suplente da Rede Afro GLBT;
* IX – 2 representantes titulares e 2 suplentes da Liga Brasileira de Lésbicas - LBL;
* X – 1 representante titular e 1 suplente da Associação Brasileira de Gays – ABRAGAY;
* XI – 1 representante titular e 1 suplente do Grupo E-Jovem

Tal mixórdia poderá gerar algo produtivo? Esperemos...

1ª Conferência Nacional - II

No site de apresentação, pode-se ler:

"Uma portaria da SEDH constituiu a comissão organizadora, composta por 32 pessoas. Essa Comissão é formada por representantes de ministérios, movimento GLBT e poder legislativo, e, entre outras atividades, elaborou o regimento interno da Conferência que subsidiará a elaboração dos regimentos estaduais".

Quem são os 32 eleitos? Como forma escolhidos? Qual foi o critério? Para que Regimento interno?

É para levar a sério? Parece coisa do TV Pirata: "Vamos tirar uma comissão, fazer regimento, eleger presidentes,..."

Em tempo: Todos nascemos cidadãos. O exercício da cidadania é que precisa ser garantido. Já está na hora de aprender e parar de escrever bobagens.

1ª Conferência Nacional GLBT

Por falar nela, a 1ª Conferência, todos as informações estão aqui. Esperemos que tratem seriamente do que deve ser tratado seriamente. As chances são poucas.

Casal



Cynthia Nixon, do Sex and the City, com a companheira!! Acho legal alguém no auge da fama assumir publicamente a relação, ainda mais fugindo ao estereótipo que a midia espera. E a Christine recusa-se a usar qualquer tipo de roupa feminina.

02 junho 2008

Reportagem




A reportagem de capa da Revista época, na semana de 2 a 8 de junho de 2008, trata de um casal gay no Exército.Não tenho certeza sobre a validade deste tipo de reportagem para a redução de preconceito e para o aumento da aceitação das relações homoafetivas por parcelas da sociedade que, tradicionalmente, mostraram-se mais reticentes no trato com este tipo de novidade.Penso até que o efeito é contrário.

Não sou padre, por quê: além da óbvia falta de vocação, embora tenha estudado em seminário e, em certo momento, tenha cogitado de seguir a carreira, a Igreja exige o celibato e condena a homossexualidade. O que faria eu nas entranhas de tal organização? Pelos mesmos motivos, estar no Exército nunca foi uma possibilidade em minha vida (claro que o celibato não se aplica aqui).

A reação do Exército (leia aqui), independentemente de ser correta ou não, é justa. As normas da instituição estão lá, se vc não as aceita, procure fazer parte de algo em que vc se encaixe.

E quando será que a imprensa vai entender a diferença entre gay e bichinha? Nenhuma homofobia internalizada aqui, nenhum preconceito. Só acho que é preciso tomar cuidado para não generalizar comportamentos, nem todos os gays se cobrem de jóias e acham que é preciso maquiagem diariamente.

Travesti: um mito que cai?




Reportagem publicada pela revista Época, retirada no sítio http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI4421-15228,00-POR+QUE+HOMENS+PROCURAM+TRAVESTIS.html, reproduzida aqui sem autorização do autor, Ivan Martins.
Mas a matéria é boa, ajuda a derrubar mitos e esclarece um pouco.

Por que homens procuram travestis?
Muitos parecem precisar de uma forma atenuada de sexo com outro homem. A ambiguidade dessa relação sugere muitas outras fantasias
Ivan Martins


CABEÇA ABERTA

Márcia, travesti de classe média paulistana. “Os homens que saem comigo são héteros que topam tudo”Mendes tem 37 anos, cabeça raspada e brinco na orelha direita. Pelos modos e pela aparência, o rapaz branco de família evangélica não se distingue de outros milhões de jovens paulistanos, exceto por uma particularidade importante: ele namora um travesti, Flávia. Os dois se conheceram há cinco anos no centro de São Paulo e, de lá para cá, constituem um casal. Na semana passada, sentado ao lado de Flávia na sala de um apartamento na Rua General Osório, Mendes explicava, em voz pausada, as bases da relação. “Nosso relacionamento é hétero”, afirma. Isso quer dizer que, no sexo, ele é a parte viril do casal, enquanto Flávia cumpre o papel de mulher. “Mas entre nós não existe só sexo. A gente tem amor e cuida um do outro.” Com cabelos negros e corpo esguio, Flávia ganha a vida se prostituindo nas ruas. Ele trabalha nas ruas como vendedor.

As palavras de Mendes revelam, sem explicar, um dos grandes mistérios da sexualidade moderna: a sedução exercida pelos travestis. Desde meados dos anos 70, quando despontaram nas esquinas das metrópoles brasileiras com saias minúsculas e seios exuberantes, essas criaturas híbridas conquistaram um espaço enorme no imaginário sexual do país. Todos os dias, milhares de homens se esgueiram por avenidas sombrias para comprar o prazer oferecido por seus corpos alterados. O risco envolvido nesse tipo de operação ficou claro há duas semanas, quando Ronaldo Nazário, o jogador de futebol mais famoso do mundo, transformou-se no protagonista de um escândalo que tinha como coadjuvantes três travestis do Rio de Janeiro. Ele foi com o grupo ao hotel Papillon e, durante a madrugada, desentendeu-se com um deles, Andréia Albertini. Acabaram todos na delegacia, de onde a história ganhou o mundo. A avalanche moral que desabou sobre Ronaldo a partir daí foi incapaz de responder à questão mais simples colocada pelo episódio: por que homens adultos e mesmo famosos arriscam segurança e reputação e vão atrás de travestis?

O antropólogo americano Don Kulick passou um ano vivendo com travestis em Salvador, sabe muito de seu cotidiano e mesmo de suas preferências íntimas. Mas não se arrisca a explicar quem são seus clientes. “Essa é uma grande incógnita. Embora acompanhasse os travestis todas as noites, não consegui distinguir um cliente típico”, diz. O livro de Kulick, professor da Universidade Nova York, sairá em português no fim deste mês, pela editora Fiocruz, com o título Travestis: Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil. Kulick conseguiu uma descrição razoavelmente rigorosa do que os fregueses exigem dos travestis. Durante um mês, pediu a cinco deles que registrassem o tipo de serviço prestado nas ruas. O resultado de 138 programas: em 52% dos casos os clientes queriam sodomizar, em 19% exigiam sexo oral, 18% queriam fazer aquilo que se costuma chamar de “troca-troca”, 9% pagaram para ser sodomizados e 2% para ser masturbados. “Não é insignificante que 27% dos homens nessa amostragem quisessem ser penetrados por travestis”, escreve s Kulick. “Mas esses homens não são maioria, como os travestis geralmente afirmam.”

‘‘Não é irrelevante que 27% dos homens da amostragem quisessem ser penetrados pelos travestis’’,DON KULICK, antropólogo americano
A confiar apenas no que dizem os travestis, o porcentual de seus clientes que se portam como homossexual passivo é alto. “Nove em cada dez homens querem ser penetrados”, diz Flávia, a namorada de Mendes. “Se o travesti não for bem-dotado e ativo, não ganha a vida na rua.” Exagero? Talvez. Assim como as prostitutas, os travestis têm uma relação antagônica com aqueles que pagam para usar seu corpo. Muitos não suportam exercer o papel viril que se exige deles na prostituição e o fazem com grande sofrimento, porque não encontram outra forma de ganhar a vida. Vingam-se dessa situação degradante com a mesma arma que a sociedade usa para humilhá-los: questionam a hombridade do freguês e o ridicularizam.

O psiquiatra Sérgio Almeida trabalha com travestis em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e sua experiência corrobora em alguma medida a versão de Flávia. Cabe a Almeida a tarefa difícil de distinguir entre os travestis – definidos como homens que gostam de agir e sentir como mulher – e os transexuais, que se sentem mulheres aprisionadas em corpo masculino. Para estes, recomenda-se a cirurgia de troca de sexo. Para os travestis, ela equivale a uma mutilação e pode levar ao suicídio. Almeida gasta dois anos com cada paciente até decidir em que categoria ele se encaixa. “Desde 1997, fizemos 95 cirurgias e não tivemos nenhum problema”, afirma. O pós-operatório mostrou ao psiquiatra que ex-travestis são freqüentemente abandonados por seus parceiros quando perdem a anatomia masculina. E que os operados que insistem em continuar na prostituição perdem também a carteira de clientes. Algo de crucial desapareceu na cirurgia. “Não é verdade que os homens procuram travestis porque estes se parecem mulheres”, diz ele. “Eles querem o algo mais que as mulheres não têm.”


TRANGRESSÃO

Por que os homens arriscam sua honra e sua segurança nesse tipo de aventura sexual Os próprios envolvidos têm opiniões diferentes. Um leitor anônimo de epoca.com.br enviou depoimento no qual afirma, basicamente, que os travestis são a melhor opção sexoeconômica. Diz ele: “Já saí com vários travestis. O que me atraiu foi justamente o desejo físico pelos bumbuns e seios avantajados. Ficar com uma travesti para mim é conseguir a baixo preço uma mulher de porte e formas que eu jamais conseguiria pagar ou namorar”. Márcia, travesti paulista,repele qualquer tentativa de analisar os homens com quem sai voluntariamente. “Para mim, homens que saem com travestis são heterossexuais de cabeça aberta, que topam qualquer coisa”, afirma. Advogado, casado, pai de uma moça, diz que tem impulsos de vestir-se e agir como mulher desde criança, mas que isso nunca o impediu de ter relações normais com mulheres: “Quando saio com um homem, ele não importa. O que me interessa é reforçar minha identidade de mulher”.

O mistério em torno dos homens que procuram travestis é proporcional à ignorância que cerca os próprios travestis. Como grupo populacional, eles são escarçamente estudados: não se tem a menor idéia de quantos sejam, no mundo ou no Brasil. Os líderes das organizações de travestis estimam que haja 5 mil ou 6 mil deles no Rio de Janeiro e uma quantidade muito maior – fala-se em 30 mil – em São Paulo. Nenhuma ciência ampara essas estimativas. Sabe-se que há travestis de Porto Alegre a Manaus, inclusive em cidades pequenas. Tem-se a impressão, entre os que lidam com o assunto, que o Brasil é o líder mundial nessa categoria – e o principal exportador para os países europeus, sobretudo Itália e Espanha. “O Brasil tem a maior população mundial de travestis e o maior número de travestis per capita”, afirma Kulick. Trata-se de uma opinião bem informada, mas é apenas opinião. Líderes de organizações de travestis como Keila Simpson, presidente da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais, querem que o censo inclua perguntas que permitam quantificar os diferentes grupos sexuais do país. “Como se pode dirigir políticas públicas a uma população de tamanho ignorado?”, diz.

A palavra-chave quando se trata de explicar a atração exercida pelos travestis parece ser ambigüidade. Eles são percebidos simultaneamente como homem e mulher, uma incongruência que mexe com as profundezas da psique humana. “O travesti mobiliza o desejo como mobiliza a repulsa”, afirma a psicanalista carioca Regina Navarro Lins. Outra psicanalista, Maria Rita Kehl, vê duas razões no fascínio pelos travestis. A primeira é que, por ser uma mulher com pênis, ele captura os restos das fantasias sexuais infantis. A outra está no fato de os travestis encarnarem a feminilidade de uma forma absoluta, que nenhuma mulher contemporânea aceitaria. “Só um travesti saberia ser tão feminino quanto quer a fantasia de alguns homens”, diz Maria Rita. “Se alguém sabe o que é ‘ser mulher de verdade’ (uma ficção masculina), é justamente o travesti.” Os próprios travestis são taxativos ao afirmar que seus fregueses procuram neles a diferença: a mulher com falo, a fantasia, o risco. “Transgressão é essencial. O proibido atrai”, afirma Marjorie, travesti com 20 anos de experiência nas ruas, que hoje trabalha na Secretaria de Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro. “As coisas que se dizem sobre os homens que saem com travestis são lendas machistas.”

Paira sobre essa discussão uma palavra que os psicanalistas detestam: patologia. Sim, as pessoas têm o direito inalienável de manter relações sexuais com quem quiserem, desde que haja consentimento mútuo. Posto isso, cabe a pergunta: está bem de cabeça um homem casado (como parece ser a maior parte dos clientes dos travestis) que abre a porta de seu carro na porta do Jockey Club, em São Paulo, e paga R$ 40 por uma hora de sexo com um homem que parece ser mulher? Os especialistas não têm uma resposta unânime a isso.

“Só um travesti saberia ser tão feminino quanto quer a fantasia de alguns homens”, diz uma psicanalista.

Liberais dizem que, bolas, desejo é desejo, e não se pode explicar ou reprimir. Há que aceitar. “Entendo que os homens que só se realizam sexualmente com travestis possam estar mal resolvidos em sua orientação sexual”, diz Maria Rita Kehl. “Mas considerar que todos os que gostam de travestis são homossexuais acovardados é uma redução preconceituosa.” Na outra ponta, fala-se em sofrimento e confusão por trás dessa forma específica de prazer. “Para alguns homens é patológico”, afirma o psicanalista Oswaldo Rodrigues, do Instituto Paulista de Sexualidade. “Muitos fazem isso num impulso de autodestruição.”

Há os incapazes de lidar com seu próprio desejo por outros homens. Há os que buscam cumprir seu “papel social” no corpo feminilizado dos travestis. Há de tudo, e nem tudo é a festa do desejo que a modernidade implicitamente recomenda. Onde está o limite? Na dor. De acordo com o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, com mais de 30 anos de experiência terapêutica, muitos homens que saem com travestis o procuram em estado de sofrimento. Eis o que diz a respeito a psiquiatra Carmita Helena Abdo, que coordena o Projeto de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo: “Se as pessoas fazem sexo responsável, não estão sofrendo e não me procuram, não quero normatizar a vida de ninguém”.

Adendo: A sabedoria do comentário da Dra. Carmita Helena Abdo é luminosa! Se não é um problema, não se o transforme em um!