12 julho 2008

Bethany & Rufus




900 Miles!!!Taí um disco maravilhoso!

Bethany, vocal, e Rufus Capadocia, cello, fizeram disco lindo, que às vezes lembra Nina Simone, Cowboy Junkies, Tuck&Patty, mas tem um som único. Na Amazon tem!

08 julho 2008

Museu de Arte Erótica


Um museu cheio de informações, com um sítio ótimo para navegar! Aproveite!

Curta-Metragem

No curta-metragem "Depois de Tudo", do cineasta Rafael Saar, o cantor Ney Matogrosso e o ator Nildo Parente vivem um casal gay. O filme, ainda em fase de finalização, é uma co-produção do Cinema Nosso com a Universidade Federal Fluminense.

Como afirmou Rafael Saar para o MixBrasil, a temática do amor entre iguais na terceira idade é muito pouco, ou quase nada, explorada pelas produções atuais, "motivo pelo qual Ney aceitou o convite; justamente porque ele nunca viu nada parecido", disse. "Meu filme explora um tabu", completou.

Será que teremos oportunidade de vê-lo sem ser em eventos especialíssimos, fechados, ou em festivais super-concorridos, com ingressos limitados?

04 julho 2008

Dusty!Dusty!!

Dusty Springfield, ah! Nestes tempos de várias clones (Duffy, Adele etc), nada como a original, produzida pelos Pet Shop Boys, idos dos 80s. Para se divertir!

Barack e a Aids

A declaração do então senador:

“We can’t ignore the fact that abstinence and fidelity, although the
ideal, may not always be the reality — that we’re dealing with flesh
and blood men and women and not abstractions, and that if condoms and,
potentially, things like microbicides, can prevent millions of deaths,
then they should be made more widely available. Let me say this loud
and clear: I don’t think that we can deny that there is a moral and
spiritual component to prevention, that in too many places all over the
world where HIV/AIDS is prevalent — including, by the way, right here
in the United States — the relationship between men and women, between
sexuality and spirituality, has broken down, and needs to be repaired.”


–U.S. Senator Barack Obama, speaking to a California evangelical group.

Comentários???



03 julho 2008

Má Notícia

HIV resurges in men who have sex with men










“As autoridades de saúde dos EUA dizem que uma nova análise dos diagnósticos entre homens que fazem sexo com homens aponta para um preocupante aumento dos casos de AIDS entre homens jovens.

As autoridades de saúde usam o termo "homens que fazem sexo com homens" (MSM) porque muitos desses homens não são estritamente homossexuais ou até mesmo bissexuais.

Entre 2001 e 2006 sexo entre homens era a maior categoria de transmissão do HIV nos EUA, e a única associada a um número crescente de casos de HIV/AIDS, de acordo com o CDCP - Center for
Disease Control and Prevention.


E as festas continuam, e as campanhas cessaram....

01 julho 2008

Pier Paolo Pasolini



Em tradução para o inglês de James Kirkup (não consegui o original), o poema abaixo foi escrito em 1958 quando o Papa Pio XII morreu, e causou um rebuliço enorme e um escândalo literário. Julgue por você mesmo!

No quadro de Bacon, o papa é outro, mas muda alguma coisa?

To a Pope

A few days before you died, death
cast her eye on one of your own age:
at twenty, you were a student, he a working lad,
you noble and rich, he a plebeian son of toil:
but those days you lived together illumined with a flame
of gold our ancient Roma, restoring her to youth again.
-I've just seen his corpse, poor old Zuchetto's.
Drunk, he was roaming the dark streets round the markets
and a tram coming from San Paolo ran him down,
dragging him along the rails under the plane trees:
they left him there for hours, beneath the wheels:
a few curious passers-by were standing staring at him
in silence: it was late, not many people in the streets.
One of those men who owe you their existence,
an old cop, in a sloppy uniform, libe any layabout,
kept shouting at those who went too close: "Fuck off!"
Then at last the hospital van arrived to carry him away:
the idlers began dispersing, but a few still hung around,
and the proprietress of a nearby all-night snack bar
who knew him well, told someone who'd just come by
Zuchetto had been run over by a tram, it was all over now.
You died a few days later: Zuchetto was one
of your vast apostolic human flock,
a poor old soak, no family, no home,
who roamed the streets at night, living as best he could.
You knew nothing of all that: knew nothing either
of thousands of others christs like him.
Perhaps we're crazy to keep on asking why
people like Zuchetto were unworthy of your love.
There are unspeakable hovels, where mothers and children
go on existing in the dust andf filthof a past long gone.
Not too far from where you lived yourself,
within sight of the vanglorious dome of St. Peter's
there is one of those places, il Gelsomino...
a hill half ravaged by a quarry, and down below,
between a stagnant sewer and a row of mansions blocks,
a mass of wretched shacks, not houses - pigsties.
All it needed from you was a gesture, a single word,
for all your children living there to find a decent roof:
you made no gesture, you spoke not a single word.
No one was asking you to give Marx absolution! An immense
wave, beating against thousands of years of life,
separated you from him, from his beliefs:
but does your own religion know nothing of pity?
Thousands of men under your pontificate
lived on dunghills, in pigsties, under your very eyes.
You knew that to sin does not just mean to commit evil deeds:
not to do good - that is the real infamy.
What good you might have done! And you did not:
there has been no greater sinner than yourself!!

24 junho 2008

Melody Gardot II



Para quem não se maravilhou o suficiente com a postagem abaixo!

Melody Gardot



Podem não acreditar: uma mistura de Blossom Dearie com Julie Andrews, é de cortar os pulsos!!!!!!!

"Love me like the river does...deeply!"

Gravou dois ou três Cds e também fez parte do disco do Herbie Hancock em homenagem à Joni Mitchell. Vejam no vídeo a diferença da reação do público. A entrada merece duas ou três palmas e o final é apoteótico!!!

No youtube tem muito mais!!!!

21 junho 2008

Antony and the Johnsons




"My heart is broken
here in the cup of my hands
from between cracked fingers
old blood spills.
I had to move onbaby
for when I tasted my own tears
they were too sweet
and then I knew that I had come too close

And I have tried to shine in the darkness..."

e por aí vai....

18 junho 2008

Biologia

Reportagem de ontem (17/06) em O Globo (não consigo o link!!) traz pesquisa sobre a confirmação biológica do caráter genético da homossexualidade. E agora, homens das trevas?
Antes dos argumentos de sempre: não é uma anomalia, é apenas um comportamento das sinapses cerebrais. Repito a pergunta:

e agora???

16 junho 2008

Japão Gay

(Reportagem de Ewerthon Tobace, no sítio G1)

Andar de mãos dadas? Nem pensar! Beijar em público então... No Japão, nem casais heteros têm coragem de demonstrar o carinho à vista dos outros, e se mostram recebem olhares de desaprovação. Que dirá de um casal gay. Então, apesar de algumas cidades serem o que chamam de 'gay friendly', expor a sexualidade só mesmo dentro de quatro paredes.

Já o mercado de compras e diversões para os gays é visto a olho nu, principalmente em Tóquio. E é um mercado rico, onde se gasta muito.

Os japoneses, no geral, adoram usar roupas da moda, se preocupam com o corpo, com a alimentação, usam produtos de beleza, adoram a cor rosa, carregam bolsa a tiracolo e não se incomodam de prender as longas madeixas com presilhas ou tiaras. Agora, imagine um japonês gay.

Pois é. A indústria voltada a esse mercado não é boba nem nada e hoje fatura horrores com produtos e serviços exclusivos para os gays japoneses. Há de tudo que se possa imaginar somente na capital: salões de beleza, spas, lojas de roupas, de acessórios e, é claro, a indústria pornográfica. Essa sim, a que mais fatura.

Há empresas especializadas em satisfazer o fetiche do cliente (e convenhamos, os japoneses são os reis das fantasias eróticas): há filmes somente com meninos colegiais, com surfistas, gordinhos, musculosos, personagens de animê, samurais etc.


Na vida real, os bares e casas noturnas também não ficam no conservadorismo. Há casas especializadas em todo tipo de cliente: os que têm tara por homens de terno e gravata, por cuecas brancas (o cliente tira a roupa na entrada do bar e, se não tiver com a peça em questão, a casa trata de emprestar uma), por sadomasoquismo, estrangeiros, jovens, velhos e tudo o mais que a imaginação permitir.


Vida gay em Tóquio

Na capital, há três bairros que concentram o comércio gay. Shinjuku Nichome (leia-se nityome) é o mais famoso. Próximo aos 300 metros da rua Naka encontram-se cerca de 480 estabelecimentos como bares, clubes e sex shops. O movimento é diário, mas o pico, claro, é nos finais de semana.


Os outros bairros são Shimbashi, antigo distrito de gueishas e preferido hoje dos assalariados japoneses de meia idade, e Ueno. Neste último, além de bares voltados para o público urso e da terceira idade, é lá que está a maior sauna do Japão, a 24 Kaikan (há uma filial da casa em Shinjuku também).

Comunidade gay brasileira

Os brasileiros gays usufruem de tudo isso e alguns aproveitam para ganhar dinheiro também. “A mais famosa drag queen do Japão era uma brasileira, sem contar os go-go-boys”, conta Juvenal Shintaku, que era freqüentador regular das melhores baladas da capital. “Outro dia fui a uma festa gay e pelo menos 50% do público era brasileiro, talvez porque a DJ era uma brasileira”, fala.

Fora da capital, o agito acontece em cidades com grande concentração de brasileiros. Hamamatsu, na província de Shizuoka, e Nagoya, em Aichi, são sempre palco de festas para o público gay. Sérgio Murata, de 43 anos, de Toyota, é um dos que promove os eventos em Aichi. Há alguns meses ele passou a investir também no público gay e, periodicamente, é o arco-íris que enfeita os convites e a casa. “No começo pensávamos que não iria ter público, mas cada evento chega a receber até 300 pessoas”, finaliza ele.

Nota: Para quem quiser saber sobre a formação do pensamento gay no Japão, recomendo a leitura de Male Colors - The Construction of Homosexuality in Tokugawa Japan, de Gary P. Leupp.

15 junho 2008

Avanço

Casamento gay atrairá milhões de dólares à Califórnia

Los Angeles (EUA)- Milhares de casais de homossexuais poderão, a partir de amanhã, se casar na Califórnia, um gesto aprovado pela Justiça e que trará milhões de dólares para os cofres da combalida economia deste estado americano.

Em 15 de maio, a Corte Suprema da Califórnia declarou inconstitucionais as leis que proibiam casamentos entre pessoas do mesmo sexo no estado, que se transformou no segundo dos Estados Unidos a permitir esses matrimônios, após Massachusetts.

A sentença judicial deu razão à ação apresentada pela cidade de San Francisco e pelos coletivos de homossexuais que, desde 2004, lutavam nos tribunais pelo reconhecimento de seu direito a se casar.

Um capítulo que terminará, pelo menos por enquanto, no último minuto de segunda-feira e de forma em massa a partir de terça-feira de manhã, quando espera-se que vários casais de homossexuais vão aos cartórios para mudar seu status de solteiro a casado.

Além de suas conotações legais, os enlaces gays terão grandes conseqüências econômicas para um estado afetado pela dívida e onde seus cidadãos se mostram divididos frente a esta mudança social.

Segundo um estudo do Instituto Williams da Escola de Direito da Universidade da Califórnia de Los Angeles (UCLA), os casamentos entre pessoas do mesmo sexo gerarão um volume de negócio de mais de US$ 680 milhões nos próximos três anos neste estado.

Entre os principais beneficiados da medida estará a Administração Pública, que receberá até 2011 mais de US$ 60 milhões graças aos enlaces, que criarão, de forma indireta, cerca de 2.200 empregos.

Os números acabaram por atenuar a recusa do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, que vetou em várias ocasiões propostas legislativas favoráveis aos matrimônios entre homossexuais.

Calcula-se que 70 mil pares de homossexuais irão a este estado nos próximos três anos para se casar, um número ao qual se somarão 50 mil casais gays que moram na Califórnia.

O relatório do Instituto Williams estimou que se fossem autorizados os casamentos entre pessoas do mesmo sexo em todo o território americano, a caixa do Governo Federal obteria US$ 1 bilhão extras anuais.

No entanto, a medida do Supremo Tribunal colocou em pé de guerra os cidadãos e grupos conservadores de caráter religioso, que começaram a coletar assinaturas para apoiar uma iniciativa que pretende modificar a Constituição da Califórnia e declarar inconstitucional o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Se obtiver o respaldo social suficiente, a proposta seria submetida à votação em 4 de novembro, coincidindo com as eleições presidenciais nos Estados Unidos.

As últimas pesquisas, no entanto, mostraram uma mudança na opinião pública californiana que, pela primeira vez em três décadas, se posicionou a favor das uniões entre homossexuais, mas não de forma unânime.

A pesquisa publicada no final de maio pelo instituto Field Poll indicou que 51% dos eleitores aprovam esses casamentos, contra 42% que se opõem.

Em meio a este debate, rostos famosos do mundo do cinema e da televisão nos EUA tornaram pública sua intenção de se casar com seus parceiros, como a apresentadora Ellen Degeneres ou o ator George Takei da série "Jornada nas Estrelas".

(veja mais em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL602024-5602,00-CALIFORNIA+SE+PREPARA+PARA+CELEBRAR+CASAMENTOS+GAYS.html

13 junho 2008

Mistérios de Pittsburg




Os livros do M. Chabon são super-roteirizáveis! "Garotos incríveis" deu um filme quase tão bom quanto o livro! "As aventuras de Clay e Kavalier", prometido, não sei que fim levou, embora o imbd diga que vai ser lançado em 2009.E "Mistérios de Pittsburg" foi mal recebido no Sundance. Será sina?

12 junho 2008

Atraso

A notícia abaixo, reproduzida da revista The Advocate, mostra como vamos nos colocando, a cada dia, mais distantes dos países civilizados. A barbárie é triste, gente alegre...

Norway Becomes Sixth Country to Permit Gay Marriage

Members of Norway's parliament approved a bill Wednesday that will allow same-sex couples to wed in civil marriages, according to Agence France-Presse.

The new law, which passed 84–41, requires that the terminology in marriage documents be gender-neutral.

A 1993 law gave gay and lesbian couples the right to enter into civil unions, similar to marriage, but they could not be wed in church or adopt children. The new law allows adoption and permits lesbians to be artificially inseminated.

Norway becomes the sixth country to allow gay marriage, joining Spain, Belgium, the Netherlands, South Africa, and Canada in legislating full marriage equality.

(The Advocate)

11 junho 2008

Carta de Brasília

A I Conferência Nacional em Brasília produziu o documento abaixo em seu encerramento.
Espero que os erros de português sejam fruto da transcrição para o sítio de onde copiei o texto. Afinal, quem pretende ser guardião dos direitos de quase 20 milhões de pessoas deveria ter a preocupação de, pelo menos, comunicar-se corretamente com seus protegées.

Infelizmente, é mais um esforço que se perde na partidarização e compartimentabilização da luta pelos direitos. Mais uma vez, insisto: todos nascemos cidadãos, a cidadania é inerente ao ser humano. O que é preciso é luta para que os mecanismos sociais não desviem o processo de pleno gozo dos direitos de cada um.

A falta de um foco possível, de um trabalho de base, é clara. A diluição do discurso em aspectos históricos e globais é mais um artifício para encobrir a falta de propostas sérias e definidas para o universo GBLT.

Em tempo: não faço parte de grupos devido à partidarização e aparelhamento das entidades com maior alcance na mídia.Falta a essa gente joie de vivre, leitura e uma visão menos maniqueísta (hum....)da situação.

É isso, a montanha pariu um rato...

Carta de Brasília

Nós delegadas e delegados, participantes da Conferencia Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), reunidos em Brasília, entre os dias 5 e 8 de junho de 2008, com o intuito de avaliar e propor estratégias de promoção da cidadania e de combate à violência e a discriminação contra a população LGBT, manifestamos nossa esperança e confiança de conquistarmos um Brasil e um mundo sem nenhum tipo de preconceito e segregação;

Consideramos que o processo de mobilização social e a consolidação de políticas públicas em todas as esferas do Estado são fatores determinantes para a construção de uma sociedade plenamente democrática, justa, libertária e inclusiva;

Para tanto, assumimos o compromisso de nos empenharmos cada vez mais na luta pela erradicação da homofobia, transfobia, lesbofobia, machismo e racismo do cotidiano de nossas instituições e sociedade, e por um Estado laico de fato;

A humanidade conhece os horrores causados pelas diferentes formas e manifestações de intolerância, preconceito e discriminações praticadas contra idosos, crianças, pessoas com deficiência, bem como por motivações de gênero, raça, etnia, religião, orientação sexual e identidade de gênero;

Contra o segmento LGBT tem recaído, durante séculos, uma das maiores cargas de preconceito e discriminações. Na idade média foram queimados em fogueiras. Durante o reino da barbárie nazista foram marcados com o triangulo rosa e assassinados em campos de concentração e fornos crematórios, juntamente com Judeus, Ciganos e Testemunhas de Jeová. Também nos países ditos do “socialismo real”, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram vitimas de discriminações, preconceito, e condenações, o que mostra que a intolerância e a discriminação extrapolam as barreiras ideológicas e os regimes políticos;

Assim, como os preconceitos foram gerados e alimentados por determinadas condições históricas, é chegado o momento de introduzir no âmago dos valores essenciais da sociedade: a consciência, o respeito e o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, em sua absoluta integridade, em superação a comportamentos, atitudes e ações impeditivas ao avanço de conquistas civilizatórias, as quais dedicamos nossos melhores esforços;

No mundo de hoje ainda existem países onde uma pessoa pode ser presa, condenada e morta por sua orientação sexual e identidade de gênero. A ONU reconhece a condição de refugiado político às pessoas que estejam ameaçadas em sua segurança ou integridade em virtude de sua raça, religião, nacionalidade, opinião política ou identificação a certos grupos sociais – onde se incide a orientação sexual e a identidade de gênero, quando expostas a situações de ameaça, discriminação ou violência – circunstâncias características de grave violação de direitos humanos;

Cumpre ao Poder Público (Executivo, Legislativo e Judiciário), o dever do diálogo, entre seus órgãos, e com a sociedade civil, com vistas à convalidação de direitos e à promoção da cidadania LGBT; seja pela ampliação, transversalidade e capilaridade de políticas públicas; pelo aprimoramento legislativo e pelo avanço jurisprudencial que reconheça, no ordenamento constitucional, a legitimidade de direitos e garantias legais reivindicadas pelo público LGBT em suas especificidades;

Nem menos, nem mais: direitos iguais!

É oportuno que o governo brasileiro busque apoio na comunidade internacional para a retomada, junto ao conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), das discussões para a aprovação de uma nova resolução dedicada aos Direitos Humanos e a Orientação Sexual e Identidade de Gênero, a exemplo da Resolução já aprovada na OEA, também apresentada pelo Brasil.

A prática afetivo-sexual consentida entre pessoas do mesmo sexo integra os direitos fundamentais à privacidade e à liberdade. Por isso, o avanço da cidadania LGBT requer o reconhecimento das relações homoafetivas como geradora de direitos, sem discriminação quanto àqueles observados nos vínculos heterossexuais;

Repudiamos toda e qualquer associação entre a promoção de direitos da população LGBT com a criminosa prática da pedofilia e da violência sexual presente na sociedade brasileira, que devem ser tratadas, rigorosamente na forma de lei;

Consideramos que a luta pelo direito à livre orientação sexual e identidade de gênero constitui legítima reivindicação para o avanço dos direitos humanos em nossa sociedade e para o aprimoramento do Estado Democrático de Direito;

Para tanto, solicitamos urgência na criação do Plano Nacional de Direitos Humanos e Cidadania LGBT; o cumprimento dos objetivos do Programa Brasil sem Homofobia e a aprovação dos projetos de lei que criminaliza a homofobia; que reconhece a união civil de pessoas do mesmo sexo e que autoriza a mudança do nome civil das travestis e transexuais pelo seu nome social;

Por isso, nós, participantes da Conferência Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais reivindicamos ao Poder Público (nos três níveis) que se aprofunde esforços, reflexões e ações em prol da consolidação de direitos de toda a comunidade LGBT, a fim de que as futuras gerações possam viver num mundo onde toda modalidade de preconceito e discriminação, motivadas por questões raciais, religiosas, políticas e de orientação sexual e identidade de gênero, estejam definitivamente suprimida do convívio humano.


Brasília 08 de junho de 2008

08 junho 2008

Foco

Matéria reproduzida de O Globo e que mostra os objetivos fundamentais da I Conferência em Brasília.

Movimento GLBT decide mudar para LGBT

Para o grupo, a mudança significa dar maior destaque para reivindicações das lésbicas.

A 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais decidiu neste sábado (7) padronizar a nomenclatura usada pelos movimentos sociais e pelo governo, junto com o padrão usado no resto do mundo: em lugar de GLBT, a sigla passa a ser LGBT: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais. Para o grupo, a mudança significa dar maior destaque para as reivindicações das mulheres lésbicas.

“Também coloca a questão da mulher lésbica como protagonista desse processo, prioriza e dá maior visibilidade à questão das lésbicas. Isso é importante. Era uma demanda antiga do movimento das lésbicas organizadas”, explica o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis.

Além da plenária, o sábado foi de atividades nos grupos de trabalho por setor, que votaram todas as propostas que devem ser incluídas na Carta de Brasília. O documento vai ser discutido na plenária final neste domingo (8).

Reis explica que o documento final serve “para que todo mundo possa ler e discutir cada proposta e termos o Plano Nacional de Políticas Públicas, que é o nosso grande objetivo, e aí constituir o Conselho Nacional de Políticas Públicas para LGBT, para que possa fazer o controle social das políticas”.

A criminalização da homofobia e a legalização da união estável entre pessoas do mesmo sexo devem ser as duas principais reivindicações do movimento apresentadas na Carta de Brasília.

“Nós temos duas prioridades: a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia, que é o PLC 122/06, e um outro é o projeto da ex-deputada Marta Suplicy, da união civil. Este projeto está parado na Câmara desde 1995, já está pronto para a ordem do dia, mas infelizmente a gente não consegue fazer com que ele avance”, afirmou o coordenador-executivo do projeto Aliadas e membro do Grupo Dignidade de Curitiba, Igo Martini.

07 junho 2008

Mudança de sexo gratuita

Reproduzo abaixo a matéria publicada no globo.com. Seria legal, junta com a mudança de sexo, vir um pouco mais de respeito pelos direitos de cada um (herança, pensão, plano de saúde, parceria civil, combate à homofobia, educação nas escolas, assistência ao adolescente homossexual e um tenebroso etc).


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta quinta-feira (5) que até o fim do mês o ministério vai baixar uma portaria estabelecendo que cirurgias para mudança de sexo possam ser feitas gratuitamente em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo ele, o governo está fazendo os últimos ajustes na portaria, que entrará em vigor assim que for publicada no Diário Oficial da União (DOU) - o que ainda não tem data certa para acontecer.

"É uma demanda social que está na nossa agenda há mais de 20 anos. Vai ser mais um passo na consolidação desse caminho em que o Brasil é liderança mundial.

O ministro conversou com a imprensa ao chegar à 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), em Brasília.

Segundo Temporão, a intenção do governo é que, inicialmente, hospitais universitários do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais possam realizar o procedimento. O ministro explicou que, a partir da portaria, outros hospitais da rede pública poderão se credenciar para que o Ministério da Saúde possa verificar se eles estão aptos a fazer a cirurgia.

"O Ministério da Saúde tomará todos os cuidados do ponto de vista ético, e do ponto de vista médico", garantiu Temporão.

A conferência é um marco na história do país. O evento ocorrerá até o dia 8 de junho, e contará com palestras sobre direitos humanos e políticas públicas, orientação sexual e identidade de gênero.

Ao final do encontro, políticas públicas discutidas serão consolidadas no Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

06 junho 2008

1ª Conferência - IV

Ainda em "Dúvidas Frequentes", pode-se ler:

Quais são os conceitos usados para esta Conferência? (Os conceitos foram formulados em consenso pela Comissão Organizadora do evento)

Bissexual: pessoa que têm desejos e práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com homens e mulheres.

Gay: pessoa do gênero masculino que tem desejos, práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com outras pessoas do gênero masculino.

Gênero: o conjunto de normas, valores, costumes e práticas através das quais a diferença entre homens e mulheres é culturalmente significada e hierarquizada. Envolve todas as formas de construção social das diferenças entre masculinidade e feminilidade, conferindo sentido e inteligibilidade social às diferenças anatômicas, comportamentais e estéticas. Contemporaneamente se compreende que não há linearidade na determinação do sexo sobre o gênero e sobre o desejo, sendo o gênero uma construção individual, social e cultural que sustenta a apresentação social da masculinidade e/ou feminilidade por um indivíduo.

GLBT: É a sigla para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Heterossexual: pessoa que tem desejos, práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com pessoas do gênero oposto.

Homofobia: conseqüência direta da hierarquização das sexualidades e do status superior arbitrariamente conferido à heterossexualidade, suposta como natural, em detrimento de outras manifestações e expressões das identidades e das práticas sexuais, tidas como inferiores ou mesmo anormais. A homofobia é um fenômeno que costuma produzir ou se vincular a preconceitos e mecanismos de discriminação, de estigmatização e violência contra pessoas GLBT e, mais genericamente, contra todas as pessoas (inclusive as heterossexuais) cujas expressões de masculinidade e feminilidade não se enquadrem nas normas de gênero, culturalmente estabelecidas. A homofobia, portanto, vai além do grave quadro de hostilidade e violência contra GLBT. Ela desencadeia e realimenta processos discriminatórios, representações estigmatizantes, processos de exclusão, dentre outros, voltados contra tudo aquilo que remeta, direta ou indiretamente, às práticas sexuais e identidades de gênero discordantes do padrão heterossexual e dos papéis estereotipados de gênero.

Homossexual: pessoa que tem desejos e práticas sexuais e relacionamento afetivo-sexual com pessoas do seu mesmo gênero.

Lésbica: pessoa do gênero feminino que têm desejos e práticas sexuais, e relacionamento afetivo-sexual com outras pessoas do gênero feminino.

Lesbofobia: é uma expressão específica da homofobia. Se refere à discriminação, estigmatização e violação de direitos de mulheres que tem uma orientação sexual homossexual.

Sexualidade: dimensão fundamental da experiência humana, pode ser compreendida à luz de diferentes perspectivas. A sexualidade tem uma faceta biológica, mas não se reduz a ela. Aspectos psicológicos, sociais e culturais fundamentam a vivência humana da sexualidade. A sexualidade não é sinônimo de coito, sendo uma disposição à experimentar a si mesmo e ao outro segundo o registro do prazer e da criação. Sexualidade é disposição que motiva o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, de ser de se relacionar. Sexualidade, portanto, refere-se a uma importante dimensão da experiência humana que está diretamente relacionada ao laço social.

Transexual: pessoa com identidade de gênero diferente do biológico. Esta afirmativa consolidada pode, eventualmente, se transformar em desconforto ou estranheza diante destes atributos, a partir de condições sócio-culturais adversas ao pleno exercício da vivência dessa identidade de gênero constituída. Isto pode se refletir na experiência cotidiana de auto-identificação ao gênero feminino – no caso das mulheres que vivenciam a transexualidade, que apresentam órgãos genitais masculinos no momento em que nascem –, e ao gênero masculino que apresentam órgãos genitais femininos. A transexualidade também pode, eventualmente, contribuir para o indivíduo que a vivencia objetivar alterar cirurgicamente seus atributos físicos (inclusive genitais) de nascença para que os mesmos possam ter correspondência estética e funcional à vivência psico-emocional da sua identidade de gênero constituída.

Transfobia: é outra expressão específica da homofobia, referente ao rechaço às pessoas travestis e transexuais. A transfobia se expressa por meio do não reconhecimento das vivências de identidade de gênero distintas dos ditames postos pelas normas de gênero e pela ideologia do binarismo sexual. Ao superarem as barreiras postas pelas normas de gênero e uma visão essencialista acerca dos corpos, dos sexos e dos gêneros, as pessoas travestis e transexuais são expostas a um duro quadro de vulneralibilidades, que fazem delas alvo das mais acirradas manifestações de desaprovação e repulsa social. A transfobia as exclui de praticamente todos os espaços de convivência cidadã e, ao mesmo tempo, as coloca entre os principais alvos da violência letal contra GLBT.

Travesti
: pessoa que nasce do sexo masculino ou feminino, mas que tem sua identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, assumindo papéis de gênero diferentes daquele imposto pela sociedade. Muitas travestis modificam seus corpos através de hormonioterapias, aplicações de silicone e ou cirurgias plásticas, porém vale ressaltar que isso não é regra para todas.

Vulnerabilidade: refere-se à condição pessoal ou social que expõe os indivíduos e/ou grupos sociais a situações de exclusão e violação dos direitos humanos fundamentais. O gênero, a cor, condição sócioeconômica, de região, de religião, de idade, de orientação sexual e de identidade de gênero, por exemplo, são condicionantes e determinantes para o prejuízo no gozo dos direitos, estando os indivíduos vulneráveis aos processos discriminatórios devido a estigmas e preconceitos sócio-historicamente constituídos.

AH! Meus Deus!!

1ª Conferência - III

Lê-se no sítio da conferência, na página "Dúvidas frequentes(???)":

Como é composta a comissão organizadora?

A Comissão Organizadora Nacional foi designada pelo Secretário Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República através da Portaria nº 260 de 21 de dezembro de 2007 e é composta por:

* I – 3 (três) representantes titulares e 3 suplentes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos/PR;
* II – 1 representante titular e 1 suplente dos seguintes órgãos:
*
o a) Secretaria Geral da Presidência da República;
o b) Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres;
o c) Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial;
o d) Ministério da Educação;
o e) Ministério da Saúde;
o f) Ministério do Trabalho;
o g) Ministério da Justiça;
o h) Ministério da Cultura;
o i) Ministério dos Esportes;
o j) Ministério das Cidades;
o k) Ministério da Previdência Social;
o l) Ministério do Desenvolvimento Social;
o m) Ministério das Relações Exteriores;
o n) Ministério do Turismo;
* III – 1 representante titular e 1 suplente da Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT;
* IV – 7 representantes titulares e 7 suplentes da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT;
* V – 2 representantes titulares e 2 suplentes da Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA;
* VI – 2 representantes titulares e 2 suplentes do Coletivo Nacional de Transexuais – CNT;
* VII – 2 representantes titulares e 2 suplentes da Articulação Brasileira de Lésbicas - ABL;
* VIII – 1 representante titular e 1 suplente da Rede Afro GLBT;
* IX – 2 representantes titulares e 2 suplentes da Liga Brasileira de Lésbicas - LBL;
* X – 1 representante titular e 1 suplente da Associação Brasileira de Gays – ABRAGAY;
* XI – 1 representante titular e 1 suplente do Grupo E-Jovem

Tal mixórdia poderá gerar algo produtivo? Esperemos...