29 outubro 2007

Exercício

José Castelo, no Portal Literal ministra (ai...)um curso on line. Este exercício está lá. Quem se arrisca??

EXERCÍCIO DAS PROIBIÇÕES



Escreva um conto, que tenha no máximo 5 mil caracteres com espaços, ambientado na praia de Copacabana.

As
100 palavras que constam da lista abaixo não podem ser usadas, estão
proibidas. A idéia desse exercício é levar o aluno a refletir sobre as
facilidades oferecidas por clichês, lugares comuns, e tudo o mais que
escrevemos "sem pensar". Eles podem ser úteis para a publicidade, para
o marketing, para a propaganda, até para o jornalismo – não para a
literatura.


1- água de coco


2- amendoim


3- areia


4- asa delta


5- avião


6- barco


7- barraca


8- barriga


9- bermudas


10- bíceps


11- biquíni


12- bicicleta


13- biscoito


14- bola


15- boné


16- bronzeador


17- bunda


18- cachorro


19- calçadão


20- calor


21- camarão


22- caminhada


23- campeonato


24- canga


25- cedê


26- cerveja


27- céu


28- chapéu


29- chinelo


30- chuva


31- cochas


32- cooper


33- COPACABANA


34- conversa fiada


35- domingo


36- ducha


37- esporte


38- esteira


39- estrela


40- flacidez


41- futebol


42- futevôlei


43- galera


44- garota


45- garotão


46- ginástica


47- horizonte


48- ilha


49- jornal


50- livro


51- lua


52- mar


53- mate


54- mulher


55- músculos


56- namoro


57- navio


58- oceano


59- óculos


60- óleo


61- ondas


62- panfleto


63- paquera


64- patins


65- peitos


66- pelada


67- peteca


68- picolé


69- praia


70- prancha


71- propaganda


72- protesto


73- protetor solar


74- publicidade


75- quiosque


76- rádio


77- rede


78- refrigerante


79- revéillon


80- revista


81- sábado


82- sandália


83- sexo


84- show


85- sol


86- som


87- soneca


88- sorvete


89- suco


90- sunga


91- suor


92- surfe


93- tanga


94- tênis


95- tira-gosto


96- toalha


97- trânsito


98- turma


99- vôlei


100- vôo-livre



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Marília,,,,""""""


Escorpiões e a Esquiva



pela quarta ou quinta vez
tenta dar uma cronologia: me
deitei e parecia um deserto aquela
areia salgada.
- mas estamos em méxico city, diz,
estamos no ponto mais próximo
da esquiva.

eles vêm de noite, no campo,
quando uma nuvem se forma
e tudo está perdido, rente ao chão.
me deitei e tratei de ouvir os ruídos
dos escorpiões

mas não havia ruídos,
só o vento e os clarões.

tratei de ouvir
o barulho da fábrica
mas não ouvia nada
(conhecer pode
ser destruir)
só um eco ou
algo que se esquiva.


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28 outubro 2007

Inspiração



Nestes tempos de desânimo, tristeza e falta de perspectivas, o importante é não deixar faltar inspiração.
Visite:
http://paginas.terra.com.br/arte/ReinodoCaos/bunny/b1.htm


Os Coelhinhos suicidas são o que há!!

22 outubro 2007

Camisinha

Alguém pode me dizer porque não temos uma campanha bem feita de prevenção das DSTs??

Gay Love

07 outubro 2007

Estopa


Casa nova, vida nova... para o Estopa também. E ele sabe disso, já tomou conta de todos nós.
É o novo rei, viva o rei!!

08 setembro 2007

Elizabeth Bishop

ONE ART

The art of losing isn’t hard to master;
So many things seem filled with the intent
To be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
Of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
Places, and names, and where it was you meant
to travel. None of this will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! My last, or
Next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
Some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan´t have lied. It´s evident
The art of losing’s not too hard to master
Though it may look (Write it!) like disaster.

UMA ARTE

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
De perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
Lugares, nomes, onde pensaste de férias
Ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
Ou a penúltima, de minhas casas queridas
Foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
Pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
Continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

-Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda – escreva tudo! – lembre desastre.

Mika

Músicas ótimas, uma delícia. Assim que eu aprender a colocar vídeos aqui, coloco o último clip, "Now i know how Morrisey felt". O título é otimo, a música nem tanto.
Se vc não agüentar a espera, vá até
http://www.lastfm.pt/music/Mika/+videos/now+i+know+how+morrissey+felt+%28rmx%29

06 setembro 2007

Capitão Ahab

Na falta de um Capitão Ahab a caçá-la, vamos todos ao fundo acompanhando a Moby Dick da falta de autoridade, falta de vergonha, falta de ação, falta de tudo. É isso: a grande baleia branca é a FALTA!!!
(Pollock - Moby Dick)

Frank O'Hara

Why I Am Not a Painter

I am not a painter,
I am a poet.
Why?
I think I would rather be
a painter,
but I am not. Well,
for instance,
Mike Goldbergis starting a painting.
I drop in.
"Sit down and have a drink" he says.
I drink;
we drink.
I look up.
"You have SARDINES in it."
"Yes, it needed something there."
"Oh."
I go and the days go by
and I drop in again.
The paintingis going on,
and I go, and the days
go by.
I drop in.
The painting is finished.
"Where's SARDINES?"
All that's left is just
letters,
"It was too much," Mike says.
But me?
One day I am thinking of
a color: orange.
I write a line
about orange.
Pretty soon it is a whole page of words,
not lines.
Then another page.
There should be
so much more, not of orange,
of words,
of how terrible orange is
and life.
Days go by.
It is even in
prose,
I am a real poet.
My poem
is finished and I haven't mentioned
orange yet.
It's twelve poems,
I call it
ORANGES.
And one day in a gallery
I see Mike's painting,
called SARDINES.

04 setembro 2007

Antonio Cícero




















Gosto muito do que ele escreve...urbano, melodioso

.......................................Onda

Conheci-o no Arpoador
garoto versátil, gostoso,
ladrão, desencaminhador
de sonhos, ninfas e rapsodos.

Contou-me feitos e mentiras
indeslindáveis por demais:
eu todo ouvidos, tatos, vistas,e pedras, sóis, desejos, mares.

E nos chamamos de bacanas
e prometemo-nos a vida:
Comprei-lhe um picolé de manda

e deu-me ele um beijo de língua
e mergulhei ali à flor
da onda, bêbado de amor

03 setembro 2007

Parada Gay!



Está confirmada, no Rio de Janeiro, para o dia 14 de outubro. Será que vai?
Foto: Parada de Gonta, Portugal.

Disco Novo!!



Darren Hayes, a metade inteligente - e gay- do Savage Garden está lançando um CD duplo lindo, que pode ser xeretado no My space. O cantor e compositor, que se casou com o companheiro Richard Cullen em 2006, lançou "This Delicate Thing We've Made" em julho. Será que chega aqui?

28 agosto 2007

Rumo ao Progresso

Saíram as primeiras pensões para companheiros de homossexuais servidores públicos no Estado do Rio de Janeiro. Veja em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2007/08/28/297463069.asp
Agora, quero ver se eles receberão!!!

21 agosto 2007

Bancos versus Concessionárias


Funciona assim: você contrata um débito automático com a concessionária, que manda a conta com aviso de débito em conta. No dia do vencimento, a conta não é debitada, embora haja saldo para pagar cem delas! Você tenta resolver com a concessionária, ela empurra para o banco, que empurra para a concessionária. Ao ser perguntado sobre quem arcaria com o custo dos juros e multa pelo atraso, a atendente, fundada na sabedoria que a presunção e certeza de impunidade trazem diz, alto e bom-som: " O senhor, é claro!". E você nem quer morrer....

20 agosto 2007

Miguel de Unamuno


De vuelta a casa


Desde mi cielo a despedirme llegas fino

orvallo que lentamente bañas los

robledos que visten las montañas de mi tierra,

y los maíces de sus vegas.

Compadeciendo mi secura, riegas montes y valles,

los de mis entrañas,

y con tu bruma

el horizonte empañas de mi sino,

y así en la fe me anegas.

Madre Vizcaya, voy desde tus brazos verdes,

jugosos, a Castilla enjuta,

donde fieles me aguardan

los abrazos de costumbre,

que el hombre no disfruta de libertad

si no es preso

en los lazos de amor,

compañero de la ruta.

18 agosto 2007

Walt Whitman


We Two Boys Together Clinging


We two boys together clinging,
One the other never leaving
Up and down the roads going, North and South
excursions making,
Power enjoyng, elbows stretching, fingers clutching,
Arm'd and fearless, eating, drinking, sleeping, loving,
No law less than ourselves owning, sailing, soldiering,
thieving, threatening,
Misers, menials, priests alarming, air breathing, water
drinking, on the turf or the sea-beach dancing,
Cities wrenching, ease scorning, statues mocking,
feebleness chasing,
Fulfilling our foray.

17 agosto 2007

Wilfred Owen II



TO .....

THREE ROMPERS RUN TOGETHER, HAND IN HAND.
THE MIDDLE BOY STOPS SHORT, THE OTHERS HURTLE:
WHAT BUMPS, WHAT SHRIEKS, WHAT LAUGHTER TURNING TURTLE.
LOVE, RACING BETWEEN US TWO, HAS PLANNED
A SUDDEN MISCHIEF: SHORTLY HE WILL STAND
AND WE SHALL SHOCK. wE CANNOT HELP BUT FALL;
WHAT MATTER? wHY, IT WILL NOT HURT AT ALL,
OUR YOUTH IS SUPPLE, AND THE WORLD IS SAND.

BETTER OUR LIPS SHOULD BRUISE OUR EYES, THAN HE,
RUDE LOVE, OUT-RUN OUR BREATH; YOU PANT, AND I,
I CANNOT RUN MUCH FARTHER; MIND THAT WE
BOTH LAUGH WITH LOVE; AND HAVING TUMBLED, TRY
TO GO FOREVER CHILDREN, HAND IN HAND.
THE SEA IS RISING... AND THE WORLD IS SAND.

Wilfred Owen

Inglês, poeta, do início do século passado, morreu durante a I GG, uma semana antes da paz ser declarada. Amigo do também poeta Siegfried Sasson, lamentava torturadamente a perda de vidas jovens que a guerra causa. Mas também louvava o amor, como vcs podem ver no post seguinte.

Anthem for Doomed Youth

What passing-bells for these who die as cattle?
Only the monstrous anger of the guns.
Only the stuttering rifles' rapid rattle
Can patter out their hasty orisons.
No mockeries now for them; no prayers nor bells;
Nor any voice of mourning save the choirs,
The shrill, demented choirs of wailing shells;
And bugles calling for them from sad shires.
What candles may be held to speed them all?
Not in the hands of boys, but in their eyes
Shall shine the holy glimmers of good-byes.
The pallor of girls' brows shall be their pall;
Their flowers the tenderness of patient minds,
And each slow dusk a drawing-down of blinds.

15 agosto 2007

Allen Ginsberg

A Supermarket in California

What thoughts I have of you tonight, Walt Whitman, for I walked down the sidestreets under the trees with a headache self-conscious looking at the full moon.
In my hungry fatigue, and shopping for images, I went into the neonfruit supermarket, dreaming of your enumerations!
What peaches and what penumbras! Whole families shopping at night! Aisles full of husbands! Wives in the avocados, babies in the tomatoes!--and you, García Lorca, what were you doing down by the watermelons?
I saw you, Walt Whitman, childless, lonely old grubber, pokingamong the meats in the refrigerator and eyeing the grocery boys.
I heard you asking questions of each: Who killed the pork chops? What price bananas? Are you my Angel?
I wandered in and out of the brilliant stacks of cans following you,and followed in my imagination by the store detective.
We strode down the open corridors together in our solitary fancy tasting artichokes, possessing every frozen delicacy, and never passing the cashier. Where are we going, Walt Whitman? The doors close in a hour.Which way does your beard point tonight?
(I touch your book and dream of our odyssey in the supermarket andfeel absurd.)
Will we walk all night through solitary streets? The trees add shade to shade, lights out in the houses, we'll both be lonely.
Will we stroll dreaming of the lost America of love past blue automo-biles in driveways, home to our silent cottage?
Ah, dear father, graybeard, lonely old courage-teacher, what America did you have when Charon quit poling his ferry and you got out on a smoking bank and stood watching the boat disappear on the black waters ofLethe?

--Berkeley, 1955

13 agosto 2007

Leonard Cohen

Bird on the Wire

Like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you.
Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
he said to me,
"You must not ask for so much."
And a pretty woman leaning in her darkened door,
she cried to me,
"Hey, why not ask for more?"
Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.

10 agosto 2007

António Ramos Rosa

O autor desta maravilha é o poeta português António Ramos Rosa, que é autor de vários livros, nenhum deles objeto de atenção de nosso mercadinho editorial. Até quando?

09 agosto 2007

Boi da Paciência

.........................Boi da Paciência ......................

Noite dos limites e das esquinas nos ombros
noite por demais aguentada com filosofia a mais
que faz o boi da paciência aqui?
que fazemos nós aqui?
este espetáculo que não vem anunciado
todos os dias cumprido com as leis do diabo
todos os dias metido pelos olhos adentro
numa evidência que nos cega
até quando?
Era tempo de começar a fazer qualquer coisa
os meus nervos estão presos na encruzilhada
e o meu corpo não é mais que uma cela ambulante
e a minha vida não é mais que um teorema
por demais sabido!

Na pobreza do meu caderno
como inscrever este ceu que suspeito
como amortecer um pouco a vertigem desta órbita
e todos o entusiasmo destas mãos de universo
cuja carícia é um deslizar de estrelas?
Há uma casa que me espera
para uma festa de irmãos
há toda esta noite a negar que me esperam
e estes rostos de insônia
e o martelar opaco num juro de papel
e o arranhar persistente duma pena implacável
e a surpresa subornada pela rotina
e o muro destrutível destruindo as nossas vidas
e o marcar passo à frente deste muro
e a força que fazemos no silêncio para derrubar o muro
até quando?até quando?

Teoricamente livre para navegar entre estrelas
minha vida tem limites assassinos
Supliquei a meus companheiros: Mas fuzilem-me!
Inventei um deus só para que me matasse
Muralhei-me de amor
e o amor desabrigou-me
Escrevi cartas a minha mãe desesperadas
colori mitos e distribuí-me em segredo
e ao fim e ao cabo
recomeçar
Mas estou cansado de recomeçar!
Quereria gritar: Dêem-me árvores para um novo recomeço!
Aproximem-me a natureza até que a cheire!
Desertem-me este quarto onde me perco!
Deixem-me livre por um momento em qualquer parte
para uma meditação mais natural e fecunda
que me limpe o sangue!
Recomeçar!
Mas originalmente com uma nova respiração
que me limpe o sangue deste polvo de detritos
que eu sinta os pulmões como duas velas pandas
e que eu diga em nome dos mortos e dos vivos
em nome do sofrimento e da felicidade
em nome dos animais e dos utensílios criadores
em nome de todas as vidas sacrificadas
em nome dos sonhos
em nome das colheitas em nome das raízes
em nome dos países em nome das crianças
em nome da paz
que a vida vale a pena que ela é a nossa medida
que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias
que o reino da bondade dos olhos dos poetas
vai começar na terra sobre o horror e a miséria
que o nosso coração se deve engrandecer
por ser tamanho de todas a s esperanças
e tão claro como os olhos das crianças
e tão pequenino que uma delas possa brincar com ele

Mas o homenzinho diário recomeça
no seu giro de desencontros
A fadiga substituiu-lhe o coração
As cores da inércia giram-lhe nos olhos
Um quarto de aluguel
como preservar este amor
ostentando-o na sombra?
Somos colegas forçados
Os mais simples são os melhores
nos seus limites conservam a humanidade
Mas este sedento lúcido e implacável
familiar do absurdo que o envolve
com uma vida de relógio a funcionar
e um mapa da terra com rios verdadeiros
correndo-lhe na cabeça
como poderá suportar viver na contenção total
na recusa permanente a este absurdo vivo?

Ó boi da paciência, que fazes tu aqui?
Quis tornar-te amável ser teu familiar
fabriquei projetos com teus cornos
lambi teu focinho e acariciei-te em vão

A tua marcha lenta enerva-me e satura-me
As constelações são mais rápidas nos céus
a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo
Lá fora os homens caminham realmente
Há tanta coisa que eu ignoro
e é tão irremediável este tempo perdido!
Ó boi da paciência, sê meu amigo!!

(do livro Viagem através de uma nebulosa)



06 agosto 2007

Roberto Piva

Não é guru, por que odiaria sê-lo.

A máquina de matar o tempo

Aqui nós investimos contra a alma imortal dos gabinetes. Procuramos amigos que não sejam sérios: os macumbeiros, os loucos confidentes, imperadores desterrados, freirar surdas, cafajestes com hemorróidas e todos que detestam os sonhos incolores da poesia das Arcadas.
Nós sabemos muito bem que a ternuna de lacinhos é um luxo protozoário.
Sede violentos como uma gastrite. Abaixo as borboletas douradas. Olhai o cintilante conteúdo das latrinas.

(de UM estrangeiro na legião)

Lista de presente

Deu no "Gente Boa": a loja Tutto per la casa está com uma lista para presentes de casamento de um casal gay. Mas direitos legais de herança, plano de saúde, neca.... Ô raça!

Itamaraty em pânico... ou quase isso

O moço aí embaixo é o Edgar Ramirez, venezuelano, fala cinco idiomas (bonito assim, para quê?),
e parou com a carreira de diplomata para fazer cinema. As bibas do Itamaraty devem estar se rasgando....

Vida Bandida



O novo filme do Matt Damon no papel de Bourne (A Supremacia..., Identidade...), "Ultimato", bateu o recorde do 007 com o Craig. Com o bandido que brilha na tela, não é de se estranhar...

05 agosto 2007

Vaias




Fomos chamados de mal-educados (jornalistas de 'esquerda"), manipulados (políticos da "base governista"), reacionários (Veríssimo), agora, dizer que não se pode falar mal do governo, ou seja, criticar os atos destrambelhados do Sr. Lula, já é um pouco demais.

A presunção desta gente não os deixa entender o recado!

Na imagem, todos, absolutamente todos, parecem concordar com o Itimorato Timoneiro!

30 julho 2007

Novella Matvêieva

















A ALMA DAS COISAS

Gosto das casas
onde as coisas não são propriedade,
onde as coisas
são mais leves do que barcas no ancoradouro.
Não gosto das coisas sem que haja o dom
de uma mágica relação com elas.
Não, não é em ti que reside,lareira, a tua força:
de lenha, tu te enches,
como uma boca cheia de palavras,
mas não hei de arder enquanto
o mediador entre nós não for o Fogo.
Hão de me dizer:
joga fora os sonhos,
desenha a realidade,
descreve tal como são
as botas, a pera, a ferradura…
Mas se a realidade é imagem aparente
o que eu procuro é alma
sob a realidade.
Repito sempre:
o sal não está no sal
e nem o pregoestá no prego.

Tradução: Lauro Machado Coelho
(Poesia Soviética, 2007, Algol Editora)

29 julho 2007

Pan...demônio 4















Luta greco-romana na veia!

Pan...demônio 3

Quando começaremos a importar técnicos competentes, que saibam instruir os atletas nos momentos de decisão e que não naufragem junto com os esforçados representantes tupiniquins?

Pan ...demônio 2

Quando aprenderemos a reconhecer que o adversário pode ser melhor?

Pan...demônio

Alguém virá a público explicar tudo o que aconteceu? Onde foram gastos, realmente, os 4 bilhões? 4 bilhões, 4 bilhões, 4 bilhões, 4 bilhões....

Frank O'Hara - Steps

























How funny you are today New York
like Ginger Rogers in Swingtime

and St. Bridget's steeple leaning a little to the left
here I have just jumped out of a bed full of V-days
(I got tired of D-days) and blue you there still
accepts me foolish and free

all I want is a room up there
and you in it
and even the traffic halt so thick is a way
for people to rub up against each other
and when their surgical appliances lock
they stay together
for the rest of the day (what a day)

I go by to check a slide and I say
that painting's not so blue
where's Lana Turner
she's out eating
and Garbo's backstage at the Met
everyone's taking their coat off
so they can show a rib-cage to the rib-watchers
and the park's full of dancers with their tights and shoes
in little bags

who are often mistaken for worker-outers at the West Side Y
why not
the Pittsburgh Pirates shout because they won
and in a sense we're all winning
we're alive
the apartment was vacated by a gay couple
who moved to the country for fun
they moved a day too soon
even the stabbings are helping the population explosion
though in the wrong country
and all those liars have left the UN

the Seagram Building's no longer rivalled in interest
not that we need liquor (we just like it)
and the little box is out on the sidewalk
next to the delicatessen
so the old man can sit on it and drink beer
and get knocked off it by his wife later in the day
while the sun is still shining
oh god it's wonderful
to get out of bed
and drink too much coffee
and smoke too many cigarettes
and love you so much

Frank O'Hara - Homosexuality




So we are taking off our masks, are we, and keeping

our mouths shut?as if we'd been pierced by a glance!


The song of an old cow is not more full of judgment

than the vapors which escape one's soul when one is sick;


so I pull the shadows around me like a puff

and crinkle my eyes as if at the most exquisite moment


of a very long opera, and then we are off!

without reproach and without hope that our delicate feet


will touch the earth again, let alone "very soon."

It is the law of my own voice I shall investigate.


I start like ice, my finger to my ear, my ear

to my heart, that proud cur at the garbage can


in the rain. It's wonderful to admire oneself

with complete candor, tallying up the merits of each


of the latrines. 14th Street is drunken and credulous,

53 rd tries to tremble but is too at rest. The good


love a park and the inept a railway station,

and there are the divine ones who drag themselves up


and down the lengthening shadow of an Abyssinian head

in the dust, trailing their long elegant heels of hot air


crying to confuse the brave "It's a summer day,

and I want to be wanted more than anything else in the world."

Frank O'Hara



Poeta americano, morreu atropelado por um bug em uma festa gay em Fire Island, em 1966 (esta frase deveria ser um poema intitulado "em..."). Escreveu coisas maravilhosas, das quais mostro dois exemplos .

19 julho 2007

Vaia na Veia 2

Em tempo: chamar os que vaiam de mal-educados é ser muito mal-educado! Qual a outra forma que temos para expressar nossa insatisfação? Escrevendo para a página 3 de O Globo? Nossos governantes não merecem nada além de vaias, muitas vaias. Meu voto, então,.....they wish!

Vaia na Veia!!!




O Globo de hoje, 19/07, traz dois artigos condenando as pessoas que vaiaram o Presidente Lula e acólitos na cerimônia de abertura do Pan. Veríssimo chega a usar o termo "cúmplices" para os autores da vaia. Só lembrando: quando os governantes de um país não refletem os desejos da Nação, quando não há política de crescimento, quando todas as ações do Governo são voltadas para políticas assistenciais, quando este mesmo governo usa de todos os meios para assegurar a permanência de seus cúmplices (aqui sim!!) nos cargos de decisão, quando a reforma política é adiada a fim de garantir sinecuras e manobras, só resta à população o recurso da vaia. Vaia em qualquer momento e ocasião! Vaia na veia!!

18 julho 2007

Pan...Pan...Pan...



Batem à porta! É a realidade de nossas tristezas!
Por que é tão difícl admitirem que o outro é melhor?
Não dói!

16 julho 2007

Pan.....icando com as vaias


















Quer dizer então que as vaias foram orquestradas? Quem seria o maestro de tão afinado coro?

Quinze anos

No poema de Germain Nouveau, troca-se "aux noirs cheveux lisses" por "aux roux cheveux frisés", e pronto... fica valendo para o Alberto, fica valendo uma vida....

Je ne crains pas les coups du sort,
Je ne crains rien, ni les supplices,
Ni la dent du serpent qui mord,
Ni le poison dans les calices,
Ni les vouleurs qui fuient le jour,
Ni les sbires ni leurs complices,
Si je suis avec mon Amour.

Je me ris du bras le plus fort,
Je me moque bien des malices
de la haine en fleur qui se tord,
plus caressante que les lices;
Je pourrais faire mes délices
de la guerre au bruit du tabour,
De l'épée aux froids artifices,
Si je suis avec mon Amour.

Haine qui guette et chat qui dort
N'ont point pour moi de maléfices;
Je regarde en face la mort,
Les malheurs, les maux, les sévices;
Je braverais, étant sans vices,
Les rois, au milieu de leur cour,
Les chefs, au front de leurs milices,
Si je suis avec mon Amour.

Envoi

Blanche Amie aux noir cheveux lisses,
Nul Dieu nést assez puissant pour
me dire: "Il faut que tu pâlisses",
Si je suis avec mon AMour.

Elizabeth Bishop

O Breath

Beneath that loved and celebrated breast,
silent, bored really blindly veined,
grieves, maybe lives and lets
live, passes bets,
something moving but invisibly,
and with what clamor why restrained
I cannot fathom even a ripple.
(See the thin flying of nine black hairs
four around one five the other nipple,
flying almost intolerably on your own breath.)
Equivocal, but what we have in common's bound to be there,
whatever er must own equivalents for,
something that maybe I could bargain with
and make a separate peace beneath
within if never with.

10 julho 2007

Johnny




O the valley in the summer where I and my John
Beside the deep river would walk on and on
While the flowers at our feet and the birds up above
Argued so sweetly on reciprocal love,
And I leaned on his shoulder; 'O Johnny, let's play':
But he frowned like thunder and he went away.

O that Friday near hristmas as I well recall
When we went to the Charity Matinee Ball,
The floor was so smooth and the band was so loud
And Johnny so handsome I felt so proud;
'Squeeze me tighter, dear Johnny, let's dance till it's day':
But he frowned like thunder and he went away.

Shall I ever forget at the Grand Opera
When music poured out of each wonderful star?
Diamonds and pearls they hung dazzling down
Over each silver or golden silk gown;
'O John I'm in heaven', I whispered to say:
But he frowned like thunder and he went away.

O but he was as fair as a garden in flower,
As slender and tall as the great Eiffel Tower,
When the waltz throbbed out on the long promenade
O his eyes and his smile they went straight to my heart;
'O marry me, Johnny, I'll love and obey':
But he frowned like thunder and he went away.

Oh last night I dreamed of you, Johnny, my lover,
You'd the sun on one arm and the moon on the other,
The sea it was blue and the grass it was green,
Every star rattled a round tambourine;
Then thousand miles deep in a pit there I lay:
But you frowned like thunder and you went away.

W.H.Auden, em abril de 1936

08 julho 2007

Cotas e Ações Afirmativas

As ações afirmativas caíram nos EUA, que sempre serviram de exemplo para os movimentos nacionais que insistem em institucionalizar o preconceito racial no Brasil.
A Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, deveria ler Thomas Sowell, que esteve no Brasil e foi ignorado por não corroborar os ideias separatistas da Secretária.
E seria interessante a secretária vir a público esclarecer o que ela entende por "igualdade racial", já que os quadros e as ações da sua Secretaria parecem mais a pauta do Movimento Negro Unificado.

Jorge Luis Borges

Al triste


Ahí está lo que fue: la terca espada
del sajón e su métrica de hierro,
los mares y las islas del destierro
del hijo de Laertes, la dorada

luna del persa y los sin fin jardines
de la filosofía y de la historia,
el oro sepulcral de la memoria
y en la sombra el olor de los jazmines.

Y nada de eso importa.El resignado
ejercicio del verso no te salva
ni las aguas del sueño ni la estrella

que en la arrasada noche olvida el alba.
Una sola mujer es tu cuidado,
igual a las demás, pero que es ella.

04 julho 2007

Para pensar...

Nesses momentos Sirlei, é preciso que voltemos nossos olhos e pensamentos para aqueles que iluminaram os caminhos do pensamento moderno. No caso, Hannah Arendt:
"... a liberdade não é a liberdade moderna e privada da não interferência, mas sim a liberdade pública de participação democrática. A liberação da necessidade não se confunde com a liberdade, e esta exige um espaço próprio - o espaço público da palavra e da ação. Este espaço é fundamental porque existem no mundo muitos e decisivos assuntos que requerem uma escolha que não pode encontrar o seu fundamento no campo da certeza".
E mais: "O isolamento destrói a capacidade política, a faculdade de agir".
E finalizando: "O isolamento é a base de toda tirania"!

Para quem quiser mais, leia 'A Condição Humana'.

Momento Carioca

Na verdade, o momento é de PÂNico!
É preciso que haja uma reação, antes que este mundo seja transformado em "um mar variável, onde todo temor abunda" (Mariot, Complainte 1er).

Um Poema (ou será Outro?)

Os poetas são antenados mesmo, no sentido de que captam tudo que acontece e acontecerá neste mundo e em outros que talvez existam. Escrito nos anos 10(1910's), este poema de D.H. Lawrence 'pressupõe um rompimento dramático com quase tudo que a cultura recente admite ser verdade'. Ouvindo o que acontece na Rússia, Israel, Palestina, África subsaariana, é de se pensar: onde estão as pessoas como esta?

Peace and War

People always make war when they say they love peace.
The loud love of peace makes one quiver more than any battlecry.
Why should one love peace?it is so obviously vile to make war.

Loud peace propaganda makes war seem imminent.
It is a form of war, even, self-assertion and being wise for other people.
Let people be wise for themselves. And anyhow
nobody can be wise except on rare occasions, like getting married or dying.
It's bad taste to be wise all the time, like being at a perpetual funeral.
For everyday use, give me somebody whimsical, with not too much purpose in life,
then we shan't have war, and we needn't talk about peace.

Mário Faustino

Mário Faustino morreu em 1962, em um acidente aéreo, aos trinta e dois anos. Crítico no JB, era famoso pelos comentários ácidos. Sua poesia, porém, guarda momentos líricos dificilmente encontráveis nos escritos de seus contemporâneos. Abaixo, um trecho do poema “Solilóquio”, que eu acho o máximo.

Solilóquio

Tudo o que importa é ser maravilhoso.
(.....)
- Eu mesmo sou o encantador do mundo!
Seres e estrelas brotam de meus lábios...
E morro deste belo sofrimento
de ser maravilhoso!

- Ah, quem pudesse
Gritar à noite e ao tempo essas palavras
e partir pelo vento semeando versos
e terminando a criação da terra...”

António Barahona da Fonseca

Homenagem a Allen Ginsberg

"Vi os melhores espíritos da minha geração destruídos pela
loucura, morrendo à fome histéricos nus"
uiva Allen Ginsberg, poeta americano de S. Francisco,
com os cabelos em desalinho
Eu vi a mesma coisa por cá, Allen,
e penso que aconteceu assim em toda a parte
Era um grupo, não propriamente um grupo, mas
um grupo se sentava
sempre de costas, ou de lado, sob a chuva
torrencial que algumas palavras provocavam ao abrir-se
Bebia-se muito bagaço, cafés uma vez por outra,
o sangue podia beber-se à vontade:
bastava cortar as veias às mulheres que se aproximavam
Uns escreviam livros que rasgavam
devia ser uma praia para a maré levar as folhas
e de noite, sem lua, bem no alto do rochedo
Outros publicavam nos jornais, raramente
Havia claro, o papa, os papas, já os escritores
com oficina montada para as bandas da Sé Velha
e os que não morreram, não enlouqueceram ou não se suicidaram
e os que não traíram
esses vão vivendo como podem
e são agora papas cardeais arcebispos
Alguns forçados a voto de pobreza
arrastando-se pela Europa como meu amigo
Manuel de Castro
um dos melhores espíritos da minha geração, Allen Ginsberg,
que embora não acredites, ainda resiste,
árabe na linha do seu destino infalível
acendedor de palavras
visionário de técnicas amorosas, combativas, mágicas
Mas como ia dizendo, Allen. era um grupo, não propriamente
mas um grupo
cujos elementos talvez se odiassem
ou então era amor, sobretudo raiva
contra a cidade senil
ninguém trabalhava
e os poucos que trabalhavam despedidos no dia seguinte
ameaçavam (murmurava-se) as famílias, as instituições...
Eles
uma família azul
que fumava cigarros baratos
que se embebedava com muitas prostitutas
e da qual, desregradamente, certos membros
praticavam a homossexualidade por esteticismo
Era um grupo, não propriamente, mas
um grupo, Allen Ginsberg,
de anjos caídos, trêmulos, atrás de uma nota de vinte
para jantar.

(do livro Impressões Digitais)

01 julho 2007

Fome!!



Mônica Veloso, à Folha de São Paulo, sobre Renan: "É um homem extremamente inteligente!""

Definitivamente, ela não cospe no pato que a comeu!